sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Cronologia aleatória, parte 2

Deitou-se em sua cama, pensativo. O dia tinha sido deveras cansativo. Precisava descansar. Fechou os olhos. Cochilou.

BANG. BANG. Toc. Toc.

Acorda, sobressaltado, e dirige-se até a porta. Tal é o sono que nem olha pelo olho mágico. Apenas abre. E apenas entram os sujeitos em seu apartamento de um quarto de subúrbio de capital de estado. Três homens. De sua estatura, porém visivelmente mais fortes e menos cansados. Nem o interrogam, apenas atingem sua cabeça com socos. Três, um de cada gentil cavalheiro.

Ele acorda. Mãos e pés amarrados, boca amordaçada. Carro em movimento. Ele está na parte externa, na "caçamba" de uma caminhonete oitentista, dessas meio rurais. Um sujeito lhe faz companhia. "Claro, solidão iria me matar aqui nesse lugar inóspito", pensa o rapaz.

O veículo oxidado pára em cima de uma ponte. Os sujeitos que viajavam no interior da cabine pegam o rapaz pelos braços. Como um embrulho. O indivíduo simpático que lhe fez companhia nessa difícil viagem olhou para seu rosto e disse "durma bem, com os peixes."

E então arremessam o rapaz-embrulho no rio. Se debate, mas não consegue se soltar. Pulmões doem. Cabeça explodindo. Agonia

"Boa noite, peixinhos", pensou, por fim, o rapaz.

(...)

Acorda com o primeiro raio de sol do dia penetrando em suas retinas. Coberto de areia. Amordaçado mas ainda inteiro. Uma praia qualquer, privada mas não deserta. Espera pelo caseiro vir lhe ajudar. Quanto tempo? Talvez horas. Desanima. Deita-se esticado e fecha os olhos.

"Bom, acho que peixes não comem croquetes", pensa o rapaz, e desmaia.

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