Vinte e seis colheradas de arroz. Vinte e seis gramas de sal na panela. Vinte e seis goles de água no dia e vinte e seis suspiros de agonia.
Vinte e seis dias desgastantes seguidos. Vinte e seis noites de sono mal-dormido.
Vinte e seis dores. Vinte e seis horrores. Vinte e seis desamores. E o amor fica escasso.
Vinte e seis descasos. Vinte e seis descompassos. Vinte e seis passos na sala, em dias sem cores.
Vinte e seis casas com teto de cerâmica, vinte e seis carros trancando a rua.
Vinte e seis desgostos na mesma semana. Vinte e seis dias esperando a mesma lua.
Vinte e seis reais e vinte e seis centavos, e da alma ainda sobra muito pouco.
Não há conserto, e não funciona. Não há troca nem acordo. O fogo e o louco.
Vinte e seis linhas sem qualquer nexo. Vinte e seis vidas de um ser desconexo.
Vinte e seis minutos perdidos, sem volta. Vinte e seis gerações sem vida, sem rumo.
Vinte e seis anos de índole torta. Vinte e seis anos de nada, em resumo.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
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pouco.
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